Habitação Social | CDHU

Habitação para todos – CDHU | 1º Lugar no Concurso Nacional

Felicidade, bem estar, qualidade de vida… foram  alguns dos mais importantes adjetivos juntamente com a concepção de um projeto bioclimático que visamos atingir nesse projeto.

Acreditamos que o maior desafio deste projeto foi a busca por uma solução lógica e racional capaz de demonstrar que a qualidade de uma habitação não deve corresponder ao padrão econômico de uma determinada classe social, mas sim aos conhecimentos técnicos do seu momento histórico.

Acreditamos que a iniciativa do concurso nas condições propostas já é um bom indício de que este será um momento importante para romper um paradigma antigo e dominante  de que as casas populares devem ser marcadas pela simplicidade de suas construções.

O objetivo consiste na idealização de uma casa compacta e bioclimática que pudesse estimular os usuários com espaços livres dentro de suas dependências e não mais importante com a qualidade visual e volumétrica das mesmas. A preocupação com a fachada, com a identidade e heterogeneidade e a descompactação do tradicional modelo da casa retangular, são pontos chaves na elaboração da nossa proposta.

A residência consiste em um programa reduzido, resolvido a partir de dois blocos lineares interligados por um terceiro bloco com funções distintas.

Um módulo para os dormitórios e banheiro, outro para a área de serviços (cozinha e lavanderia) e o terceiro de ligação abriga a mesa de refeições e a sala de estar.

Projeto Arquitetura - CDHU - Diagrama | 24.7 Arquitetura Design

O formato alongado e estreito visa garantir a iluminação e radiação direta total dos ambientes da casa, já que de acordo com a inclinação do sol para a latitude da cidade o formato quadrado ou retangular de certas dimensões impossibilitaria o alcance da luz em toda a sua extensão.

O mesmo terreno, com as mesmas dimensões, foi pensado para abrigar a casa de dois e três dormitórios, prevendo assim a expansão de mais um quarto da menor habitação em caso de crescimento do número de integrantes da família.

Acreditamos que a qualidade dos espaços projetados influencia diretamente na qualidade de vida e bem estar dos ocupantes e foi assim que procuramos trabalhar. Contamos com a opinião de moradores do atual sistema habitacional do CDHU. Estivemos dispostos a ouvir e compreender a respeito das atuais carências, problemas, necessidades, preocupações e anseios, a fim de desenvolvermos um trabalho com a aprovação do usuário final. Consideramos de grande valia algumas reuniões realizadas com os futuros moradores já que estes de certa forma acabaram sendo responsáveis por alguns ajustes com relação ao funcionamento e funcionalidade dos espaços criados.

O objetivo dessa proposta entre outros é debater em cima de alguns conceitos padrões do modelo de desenvolvimento habitacional no país.

Entendemos e projetamos para romper com as seguintes questões no âmbito da habitação social:

1.Rápidas e de Má Qualidade – As unidades habitacionais ainda seriam de rápida construção, porém agora são sinônimos de qualidade de vida e felicidade. Espaços iluminados naturalmente, com ventilação constante, pátios internos que visam aumentar a qualidade de vida dos moradores.

2. Homogeneidade – Privilegiamos entre outras coisas o aspecto e riqueza visual. Cada casa pode vir a ter uma característica peculiar, através da escolha do tratamento de um elemento na fachada que a diferenciaria das demais.

3. Localização – Desejamos que não haja a criação de guetos em periferias e sim a ocupação de vazios urbanos centrais, compactando as cidades,  visando multiculturas.

4. Manutenção – Ninguém quer ter gastos com a manutenção de suas residências, por isso a escolha por materiais resistentes e de longa vida útil.

5. Identidade Cultural – A relação da família com o imóvel é um fator predominante neste projeto.

6. Segurança – Aspecto relevante resolvido neste projeto através de uma relação harmoniosa entre público x privado. Mesmo com a grade proposta no projeto, conseguimos manter uma relação visual entre os espaços internos da casa e a rua, proporcionando a vigia permanente entre ambos os espaços.

7. Projeto em desequilíbrio ambiental – Este projeto foi pensado a partir de um estudo climático da cidade de Ribeirão Preto, Atibaia e Santos, podendo ainda se adaptar a outros climas brasileiros. As decisões projetuais foram tomadas a partir da análise do diagrama de umidade de Givoni a fim de que tenhamos o conforto térmico necessário diminuindo também o consumo de energia das habitações.

Modulação

A concepção inicial das residências partiu de uma modulação simples de 0,90m. Essa idéia surgiu a partir de um estudo sobre um denominador comum que pudesse atender tanto as necessidades da construção como as necessidades básicas de acessibilidade.

Projeto Arquitetura - CDHU - Modulação | 24.7 Arquitetura Design

O módulo de 0,90m é perfeitamente usado quando se utiliza blocos estruturais da família 29, além disso a modulação de 0,90m permite ao cadeirante um deslocamento ideal dentro da residência.

Identidade e layouts

As residências foram pensadas de maneira a atender diversas estruturas familiares.

Dois blocos lineares com funções distintas interligados por um bloco central praticamente sem divisórias internas, permite aos moradores criarem layouts distintos de acordo com a necessidade de cada família.

Um mesmo terreno, possuindo uma mesma área quadrada é capaz de suportar duas diferentes maneira de ocupação com dois ou três dormitórios.

A idéia de rompimento da monotonia causada pela repetição em grande parte do atual sistema de habitação de interesse social no Brasil, nos fez pensar na possibilidade de diferentes identidades que as casas poderiam alcançar.

Projeto Arquitetura - CDHU - Fachada 3 | 24.7 Arquitetura Design

Cada morador tem a possibilidade de se identificar com os seus imóveis através de uma simples escolha. As fachadas podem ser facilmente modificadas a partir da escolha por diversos materiais distintos de vedação de parte da fachada, assim como um trabalho paisagístico e com exploração de cores diversas para o volume das caixas d’água.

Projeto Arquitetura - CDHU - Identidades | 24.7 Arquitetura Design

Esses itens contribuem para ruptura de um paradigma antigo e dominante de que as moradias sociais devem ser iguais.

Assim,  acreditamos estreitar os laços particulares entre o morador e seu imóvel, a fim de que ele possa elevar o seu nível de qualidade de vida e satisfação pessoal.

CONCEITO BIOCLIMÁTICO

Para que conseguíssemos um projeto bioclimático, o projeto foi idealizado a partir da análise minuciosa do clima da cidade de Ribeirão Preto e das cidades de Santos e Atibaia que também podem vir a receber tal solução

Projeto Arquitetura - CDHU 1 | 24.7 Arquitetura Design

No inverno, a variação diária de umidade e temperatura em Ribeirão Preto – São Paulo, se mantém entre a zona de “Conforto” e a zona de “Necessidade de Inércia Térmica”. Isto significa que além de um bom sistema natural de ventilação dos edifícios, se necessita uma alta inércia térmica e uma correta orientação norte.

Projeto Arquitetura - CDHU | 24.7 Arquitetura Design

No verão, a variação diária de umidade e temperatura em São Paulo, se mantem no limite da zona de “Conforto” se estendendo a zona de “Necessidade de Ventilação” com um nível muito alto de umidade. Isto significa que se deve reduzir a umidade nos edifícios e assegurar uma correta orientação norte. Uma boa ventilação natural seria suficiente para evitar o uso de sistemas de ar-condicionado.

Devido as características bioclimáticas, a casa conta com iluminação e ventilação natural  predominante, além de se esquentar por efeito invernadeiro e obter água quente por meio de captores solares.

CARACTERÍSTICAS BIOCLIMÁTICAS

Sistemas de geração de calor

Os projetos bioclimáticos permitem que as casas se aqueçam por si mesmas de duas maneiras para evitar seu resfriamento no inverno:

1. Devido ao seu  isolamento térmico e dispondo a maior parte de sua superfície envidraçada a norte e leste.

2. Devido a seu cuidadoso desenho bioclimático e orientação norte-sul os edifícios se esquentam por “efeito estufa” e radiação solar direta.

Sistemas de geração de resfriamento

As residências bioclimáticas se refrescam por si mesmas de três modos para evitar o seu aquecimento no verão:

1. Dispondo de superfícies envidraçadas ao sul e de proteções solares para a radiação solar direta e indireta.

2. Refrescando mediante a entrada de ventilação proveniente de espaços sombreados originados dos pátios gerados pela descompactação da casa.

3. Evacuando o ar quente ao exterior da residência por meio da convecção natural.

Sistemas de Acumulação (calor e resfriamento)

O calor gerado durante o dia no inverno (por “efeito estufa” e radiação solar direta) se acumula nas lajes e nas paredes interiores. Desta maneira a casa permanece quente durante toda a noite sem necessidade de consumo energético.

O resfriamento gerado durante a noite no verão (por ventilação natural e queda de temperatura) se acumula nas lajes e nas paredes internas. Deste modo a casa permanece fresca durante o dia sem consumo energético.

Ventilação Natural

A ventilação das residências se faz de forma continuada e natural através dos próprios muros exteriores, que permite uma ventilação adequada sem perdas energéticas. Janelas bem orientadas permitem uma continua circulação dos ventos a fim de refrescar nos dias quentes do verão e nos dias de alta umidade relativa do ar.

ANÁLISE SUSTENTÁVEL

Otimização de recursos

O projeto sustentável se aproveita ao máximo dos recursos naturais tais como o sol (para esquentar a casa), o vento (para refrescar e regularizar a umidade) e a água de chuva (para regar o jardim e descarga do vaso sanitário).

A modularidade imposta pelo sistema construtivo é visto como um fator muito positivo, já que se eliminam os resíduos sólidos da construção e otimiza-se o tempo de construção. De fato, o simples e tradicional método construtivo permite que os próprios usuários possam construir mais da metade da residência.

Diminuição do consumo energético

Neste projeto sustentável a casa se esquenta por um pequeno “efeito estufa”, a água é aquecida por meio de captores solares, a iluminação natural é predominante em todos os ambientes da casa, sendo necessária somente quando não houver mais luz natural e a ventilação é constante para  refrescar nos meses quentes de verão. O principal objetivo de um desenho bioclimático é eliminar os dispositivos tecnológicos que proporcionam calor e resfriamento a um edifício.

Diminuição de resíduos e emissões

As únicas emissões da casa foram geradas pela obtenção dos materiais a serem empregados. O mesmo acontece com resíduos, já que o sistema construtivo e os materiais empregados possuem um alto grau de industrialização, estando na medida exata para o uso.

Melhoria da saúde e bem estar dos usuários

A casa se ventila de forma natural e aproveita ao máximo a iluminação natural, além disso conta com pátios descobertos gerando possibilidades de lazer para os usuários, criando um ambiente saudável e proporcionando aumento de qualidade de vida aos ocupantes da residência. Uma cobertura ajardinada permite também que os usuários cultivem seus próprios alimentos para consumo próprio, ou até mesmo desfrutem como uma área de sol.

Diminuição do preço e da manutenção das casas

A racionalização dos processos construtivos e dos componentes da edificação são premissas básicas no combate ao déficit habitacional brasileiro.

A industrialização da construção promove a economia em virtude da produção em grande escala, além de reduzir o tempo de execução da obra e o desperdício de materiais.

Acessibilidade

O conceito de “Habitação para Todos” (nome que dá origem ao concurso) foi de fato levado a risca. Foram concebidas residências que permitem que os cadeirantes e portadores de necessidades especiais realizem todas suas funções da maneira mais simples possível.

Projeto Arquitetura - CDHU - Acessibilidade | 24.7 Arquitetura Design

Todos os cômodos da casa foram minuciosamente pensados para poder atender perfeitamente as normas de acessibilidade, proporcionando assim mais conforto àqueles que mais precisam.

Os espaços entre móveis e dimensões de portas foram todos feitos de modo que um cadeirante possa se locomover da maneira mais fácil possível dentro de sua própria residência.

Implantação

O terreno sugerido em Ribeirão Preto possui um desnível que seria facilmente resolvido. Foi sugerido também, bolsões de estacionamento para os residentes e visitantes, todos bem próximos das casas e com vagas especiais para portadores de necessidades especiais. A implantação possuiria áreas verdes comuns visando manter a permeabilidade do terreno e a qualidade de vida.

Projeto Arquitetura - CDHU - Implantação | 24.7 Arquitetura Design

Infelizmente a contratação por parte da CDHU não nos deu o direito de projetar na escala urbana formas mais coerentes de implantação destas residencias.

Quando pensamos na implantação dos conjuntos, devemos pensar no conceito da criação da cidade. A implantação deve ser estudada caso a caso, já que cada terreno possui a sua morfologia, orientação, inserção social, enfim, tememos a padronização na forma de implantar estas casas. A inserção deve ser feita dentro da rede de oportunidades da cidade, próximo a escolas, supermercados, hospitais, pontos de ônibus/metrô, praças públicas, de forma a cada vez mais nos aproximarmos do conceito de cidades compactas:

Por outro lado devemos enobrecer a postura da Companhia de Habitação do Estado de São Paulo para esta nova e importante fase de remodelação do padrão arquitetônico das moradias sociais para o Estado de São Paulo, onde será grande o poder de influenciação aos demais estados brasileiros.

Porque não sonhar com dias melhores para habitação social do nosso país e transformar o problema em grandes oportunidades?

Projeto de Arquitetura – 1º LUGAR NO CONCURSO NACIONAL “habitação para todos – CDHU/IAB”

CLIENTE cdhu

LOCAL estado de são paulo

ÁREA 62m²

DATA DE INÍCIO DO PROJETO agosto 2010

COLABORADORES saulo feliciano, erica souza